Tu não vives. Eu é que te invento sempre que estou só. Vives na minha cabeça. Não existes. Quando te invento tu chegas. Anuncias-te. És plena. Sacio-me de ti. Mas às vezes deixas de me dar notícias. Fico triste. Demasiado triste. Volto ao princípio de tudo. Invento-te de novo. Dou-te outra forma. Outro ser. Outro brilho no olhar. Tento não te inventar da mesma maneira para que não te zangues comigo e partas também. Às vezes consigo inventar-te perfeita. Ganhas vida própria. Sais da minha cabeça, da minha imaginação. Sais da minha invenção. Ganhas vida própria e floresces como uma magnólia. Bates as asas como uma borboleta, és ágil como um beija-flor, espécie de colibri colorido. Eu olho-te e fico parado na dúvida se fui eu que te criei, uma invenção minha. Ou foste tu que me inventaste e eu não sou nada. Não existo. A dúvida atormenta-me!
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