Tenho saudades tuas, escrevo-te a prolongar o tempo, como se desta forma estivéssemos mais próximos. Escrevo-te uma carta que quero longa, prolongada, imensa, como que a adiar a separação, a adiar as saudades, a dar-te notícias. A falar-te de tudo e de nada. De coisas inúteis. Como se o acto de leres nos mantivesse juntos a fingir que estás comigo sentada na esplanada a ver o mar, e o vento. São as palavras e o sol é calor o que sentimos e o brilho da água reflectido é o brilho do teu olhar (esses olhos que me encantam...) e as nuvens brancas são o algodão doce dos sonhos da infância.
Continuo com o acto de escrever palavras a ti outra vez, mais uma vez, as vezes que forem precisas enquanto me sentir vazio de ti e a querer-te, a imaginar-te, a desejar-te…
Escrevo sempre para ti. Um amor inexistente já, mas que no entanto perdura no meu coração como numa primeira vez. Os teus lábios nos meus, a tua mão encerrada na minha mão, o calor da tua perna colada na minha perna, o teu sorriso abraçado ao meu sorriso, a tua língua tímida a fugir da minha ousada, e depois tu, plena, vibrante, em tremuras a enleares-te em mim, a respirares-me como se respira a vida de uma golfada, e eu ousado a dizer-te que te desejo, a desnudar-te a alma com o olhar, a desabotoar-te a blusa. Lentamente, botão a botão, a imaginar os seios prontos a saltarem livres ao toque de seda. A tua pele perfumada, macia, branca, pura. Eu ávido de ti a fechar os olhos, a percorrer-te com a minha língua atrevida, tu a gemeres de prazer…
As tuas mãos a agarrarem-me os cabelos a conduzirem-me. A língua a ir, as tuas pernas a afastarem-se, tu a revelares-te em gemidos longos, baixinho, de loba no cio. Eu a provar-te e tu a revelares-te um vulcão incendiado, as tuas mãos a guiarem-me, a insistirem para que não pare de rodopiar a língua.
Tu húmida de desejo, eu excitado, quase amor. Tu a ofereceres-me, eu a entrar em ti esfomeado sedento, ofegante, quase amor. Fazemos amor, foi amor o que fizemos, foi amor que demos um ao outro. Nesta carta tento imaginar-te outra vez, desejar-te outra vez. Sempre, para sempre, demasiado... A prolongar o tempo com esta carta para que ao leres demores a ir. Nem imaginas quanto a despedida custa!
Escrevo-te uma carta que quero longa. Que eu queria longa e já não consigo, a falar-te de tudo e de nada. É o nada imenso e esta desolação, esta aridez no peito a crescer, este deserto de areia seca onde procuro as tuas pegadas de um dia. A dizer-te nesta carta, esta tentativa de carta. Só palavras, só palavras vazias, mas cheias de intenção, cheias de querer ainda. Tu a gemeres baixinho, eu a entrar em ti. As tuas mãos a agarrarem-me, a enlaçarem-me as costas, eu a beijar-te a boca. Os lábios vermelhos, eu a beijar-te os seios de bicos hirtos excitados. Foi o tempo da paixão, do mel. Tu eras o mel onde eu poisava em busca do néctar. Eras a flor perfumada a exalar cheiro. A pele branca macia espécie de seda pura. Sabes... foi amor o que fizemos. Chamemos-lhe amor, a esta falta que sinto tua ainda. Sempre, para sempre. Demasiado tempo.
E depois saímos á rua a passear de mãos dadas, de corpos abraçados, almas juntas, aninhadas, redondas, a fecharem o círculo. Éramos almas redondas, eu em ti, tu em mim. Os teus olhos brilhantes, o sol a luzir, o vento nos teus cabelos a acariciar-te a face e eu, ciumento a querer ser vento na tua face. As palavras a ti em forma de carta de amor sem o conseguir já. A jurar-te amor, a prometer-te amor. É amor ainda, para sempre… Amor. Amor verdadeiro. Amor fecundo. Amor curtido no tempo exposto ao sol e ao vento. Amor gelado no Inverno. Amor florido na Primavera. Amor desnudo no calor do verão.
Esta carta tem o propósito de te dar notícias. As palavras escassas, rápidas, a lerem-se de uma olhada. Tão breves, tão leves e eu a querer que fossem longas, pesadas, cheias, difíceis demoradas.
A tua boca, a fonte dos meus desejos. Os teus lábios, o sabor que um dia colhi. O teu olhar, fazíamos amor com o olhar como só os amantes eternos sabem fazer. Amor… Fazíamos amor até com as palavras. Tu a ofereceres-me o teu sexo quente de desejo, eu a entrar em ti a satisfazer-te o desejo. A dizer-te baixinho ao ouvido que te amava para sempre. Tu a gemeres de prazer, a tua boca a entrar sôfrega na minha boca, a minha língua a brincar ao esconde-esconde com a tua língua, os teus seios quentes a acariciarem-me o peito pleno, eu a respirar profundamente a absorver-te em cada poro da minha pele. A ser teu, tu a seres minha. Era amor o que fazíamos. Era amor o que sentíamos. Seria amor, chamemos-lhe assim. Eu a abraçar-te, tu a deixares que eu te abraçasse, a dormires saciada. Eu a olhar-te no silêncio da noite, pela noite dentro a guardar-te em mim como se guarda um segredo, como se guarda uma jóia como se guarda o amor…
Queria contar ao vento o que sinto por ti mas não sei como descrever... só sei sentir. Sabes que sou assim um ser emocional que vagueia pelo infinito do imaginário, teria muito para contar mas prefiro guardá-lo no pensamento... reservado. Gosto de mim como sou, aprendi ao longo desta caminhada a encontrar-me e a lutar pelo que gosto e de quem gosto (e como eu gosto de ti…). Adoro o céu estrelado, o pôr do sol e o mar... sou como um peixe que adora água, tenho a tendência de gostar da natureza... tenho necessidade de algo diferente todos os dias, gosto de ser assim, e quem dera que consiga voar cada vez mais alto, para me perder no infinito...

Sem comentários:
Enviar um comentário