dia 20 de Junho 9:36
Espero-te ainda
Tu não sabes que do outro lado do mundo eu penso em ti
Que te sinto em cada batida do coração a ressoar por dentro dolorido
Que te desejo intensamente. Um vazio estremo
E que o olhar morre lentamente
As palavras dão á costa naufragadas na memória
Não podes saber como as noites são sombrias
Os braços de luz do farol se apagaram
O rio secou assoreado nas lágrimas salobras
O mar recolheu a uma terra estranha
É uma beira-mar juncada de sargaço morto
E que eu estou aqui ainda
Sentado na beira-rio esperando por ti
Enquanto o frio me invade os sentidos
O mar se recompõe da noite longa e acorda em maresias de sal
A névoa se instala abraçando o mundo
E eu cego, tacteio o rumo que me afasta de ti
Espécie de suicídio negro na estrada
Tu não sabes
Da minha vontade de escutar a tua voz
De te sentir no olhar
De te amar...
Um poema que fala da memória. Um poema a sentir-se a imaginar-se, quase um grito de desespero, estranho, a provocar um ardor por dentro. Sabes, aqui na terra do sol nascente o tempo passa demasiado devagar ou sou eu que me sinto a ficar sem forças, sem ar, um nó na garganta a sufocar-me. Apanho um táxi que me deixa na porta do hotel Hyatt, um lugar acolhedor. Não dei pela viagem de quase uma hora, saio a correr e subo as escadas como se uma matilha de lobos esfaimados estivessem quase a ferrar as presas em mim, subo e enquanto o elevador sobe ao sétimo piso tento acalmar, respiro devagar, pausadamente a desacelerar o coração descompassado, abro a porta do quarto retiro o pc da mala de transporte e ligo-o, enquanto se inicia, sinto um desconforto interior, o estômago a roncar baixinho com fome. Dou-me conta que ontem não almocei, não jantei, não comi nada. Olho as horas onze e cinco minutos, pego no telefone e peço à recepção alguma coisa para comer aqui no quarto. O pc inicia mostrando a imagem do por do sol no mar.
Volto a sonhar contigo, como eu te desejo!

1 comentário:
Existem tantos blogues que gostava de ler e outros tantos em que passo e nem sequer os chego a ver. Mas existem outros, que não nos cansamos de os ler, porque em cada palavra saboreia-se a nostalgia tranquilizadora de cada mensagem que nos enriquece o saber sem nunca chegarmos a agradecer...
(Gata)
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