Perco-me a pensar enquanto aproveito o pouco de sol que espreita nas nuvens e me aquece. É triste ser velho... Tu não sabes que tenho aqui no meu quarto uma janela onde vejo mundo, e o mundo para mim é o mar que vejo da minha janela. Daqui deste pedaço de praia imagino-te. Não faz mal, tenho sempre alguma coisa a dizer-te, a segredar-te ao ouvido, a imaginar-te. Às vezes não sei de que forma te posso imaginar mais, porque já te imaginei de todas as possíveis, e em todas, cada vez és mais tu... Achas isto possível? Eu acho que deve ser da minha idade... Por isso cada carta que te escrevo é sempre uma carta de despedida, como se fossem as ultimas palavras a ti para que um dia saibas a importância que tinhas para mim...
Daqui desta praia imagino-te, sei que já não vou até à areia contigo para caminhamos á beira da água... Lembras-te? Já não lembras. Não lembras que eu existo ainda. Agora estou aqui a olhar o mundo da minha janela e a pensar em ti (sempre a pensar em ti...), a escrever para ti. Só o amor puro fica para sempre... Tenho medo de continuar a amar-te para lá da morte.
Queria deixar-te um poema e já não sei imaginar um poema para ti, que seja belo. Digno de ti.
Ficam as palavras, estas tentativas de poema que não são:
Sento-me frente ao mar
E tudo faz sentido...
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