Como um tango...



Fazemos a vida num passo acelerado de desencontros, num ritmo estonteante de movimentos de tango… afasta-te, aproxima-te, larga-me e fecha-te em meus braços… Ataca-nos uma sede interminável de um amor que nos sorri num esgar de ódio quase perfeito, é o instante em que se toma um beijo à força, contrariado num desejo mais forte que o simples não… Nada é suficiente tudo se molda no espaço de um arrastar de tempos que não nos pertencem, que não me pertencem, que não te pertencem mas que no entanto são tempos intermináveis e se vão tornando nossos… Queria que me deixasses estar apenas contigo e não contigo, quero apenas que me digas que é comigo que partilhas tudo o que não me dizes ou não me mostras, quero apenas que deixes que me encontre, que me conheça, que me entregue apenas a mim sem medo de mim em ti…

Na sombra de um movimento de espaço cheio de algo em que apenas o teu reflexo seja o meu, um abraço violento mas teu, apenas teu com a força dos meus braços, violento sim, porque posso amar violentamente na força das palavras que não sei se me dirás, porque posso amar violentamente e consumir-me por inteiro na espera de algo que não chega, de algo que me assusta e me arrasta a passo de tango…

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