Estar só...



A aprendizagem do “estar só” é, talvez, o mais importante e indispensável tirocínio de todo o ser humano… Numa acepção plena, “estar só” significa estarmos em harmonia connosco e ter a capacidade e a coragem necessárias para não sentir esta situação como o fim da nossa vida. Todos nós, desde a mais tenra idade deveríamos estar preparados para enfrentar a solidão e saber que ela é simultaneamente, um dos mais frequentes estádios do ser humano consciente.

De todas as formas de solidão três tocam-me, particularmente. Uma é a “solidão que nasce da separação”, da ausência, a que nasce da incerteza e a que não depende das circunstâncias, porque tão mergulhada na alma que nos toma prisioneiros até ao fim. A outra é a “solidão dos casais” e a terceira é a “solidão dos que estão sós”.

Esta última solidão talvez seja a que é a que mais dramaticamente afecta o ser humano. Não ter para onde ir, não ter “outro” a quem se juntar, não poder contar com o “ente” amigo nesta altura da vida, é uma experiência que, decerto, alguns de nós terão já feito e, eventualmente, também esquecido.

Muitos de nós estão sós, porque perderam os entes mais queridos: ou porque a morte os levou, ou porque a vida lhes deu outro destino… Para uns ficará a saudade daqueles que não estão presentes porque não pertencem, já, ao mundo dos vivos; para outros, uma mistura de mágoa e de raiva, que a ausência justifica.

Não sei quais sofrem mais, nem tão-pouco quais se sentirão mais sós, sei que uma boa parte do meu coração estará com eles.

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