Na mesa do café...



Costumo desanuviar o espírito, escrevendo-te. Hoje dediquei os meus "rabiscos" ao papel pálido, deitado na mesa de um café. Afinal, tem sido sempre a escrita a minha maior tentação de não estar só!

Gastei espaços do tempo, substituindo as estrelas do céu pelas luzes dos candeeiros, e percorri tantos quilómetros mal-amados a gastar pedaços da vida, à procura do sentido dessa palavra, muitas vezes amarga. Roí os pensamentos sem sucesso, porque raramente se encontra a resposta para tudo. E se neste momento transbordo de inactividade e impaciência, também não é por acaso que não escrevo nada. Nem sei mesmo se o bico da caneta é a língua das palavras que os lábios forçam ao silêncio. Aqui, desloco as peças do meu entendimento, tentando encaixá-las nos sítios certos. Não sei que horas são, mas sei que são partículas irrepetíveis da vida, porque são sempre desiguais.

Hibernei na cave do meu espírito para não sentir o esfacelamento dos corpos caídos na guerra e não assistir ao desmoronamento deste planeta pelas mãos infames do Homo Sapiens. Parei, mais uma vez esquecido do tempo, à espera do acordar de mim próprio, numa outra manhã ou noite com significado; atingi os limites assistindo desesperadamente a devaneios de miséria de valores.

E é tantas vezes assim que o sorriso morre na boca da gente!

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