Procuro...


Passei um dia sem te escrever, porém não deixei nem um só momento de pensar em ti, de te amar, e de sofrer. Sinto hoje as saudades dos dias que te escrevia tudo o que sentia, e recebia os teus escritos como raios de luz na eterna escuridão da minha alma.

Há pouco estava eu sentado na janela do meu quarto; olhava o céu coberto de nuvens densas e escuras; buscava nas suas formas incertas alguns traços da tua imagem; chamava-te na ânsia do desespero; buscava-te com a necessidade de te ter: a minha alma voava a unir-se á tua; eu empregava todas as minhas forças para estares a meu lado! Foi debalde, ao fim de uma hora de esforços tão imponentes como a minha vontade, senti-me longe de ti. Tive um instante de furioso desprezo. Reneguei da existência, o espírito não venceu a matéria; a alma estava ligada, e sujeita ao corpo: a distância material que nos separa, não podia vencer a vontade, o desejo, o amor, e o coração. Quisera magnetizar-te, atrair-te para mim, chamar-te, prender-te, possuir-te e roubar-te a tudo... a tudo! A ti mesma! ao sentimento das tuas dores, ás exaltações do teu génio, ás ambições do teu coração; a tudo; e dar-te a troco disso amor, felicidade, prazer, delírio... ah! Tudo o que uma alma abrasada de amor e sequiosa de prazeres pode dar e pode receber...

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