Passeio nas ruas com a cara
colada no chão e o olhar fixo no nada.
Sigo sem rumo, como que perdido
e deslocado de um tempo que outrora foi meu.
Os mesmos pensamentos de ontem,
hoje voltaram a florescer e a criar
mais tristeza e mais dor,
por não ser mais quem fui um dia.
Penso nos momentos em que me era permitido
rir por tudo e por nada e em que era feliz.
Relembro em câmara lenta o passado,
Este meu passado que não lutou para ser presente,
nem tão pouco cresceu para se tornar futuro.
um passado que apenas se perdeu.
Dou passos descoordenados e tenho relâmpagos
de pensamentos não muito sóbrios.
Chego então ao abismo e páro de pensar.
Executo, sem olhar para trás, o salto que me liberta
das cordas de uma vida a preto e branco.
São oito horas e acabei de acordar!.

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