Lamento...


Naquela noite o mar inquietou-se...
O mar lamentou, o mar calou-se. As suas ondas passaram a ser negras, violentas e fortes.
O mar debateu-se contra os rochedos. Naquela noite chorei...
Afligi-me, perdi minha direcção.
Os meus sentimentos lutaram na confusão de um perturbado coração.
Naquela noite o mar lambeu a areia com a fogosidade de ocultas paixões.
Naquela noite a dor da solidão e gemidos permaneceram presos na garganta.
Naquela noite o mar bravo lançou a pequena concha contra a rocha
despedaçou-a matando-a de pânico.
Debati-me, naquela noite contra a agitação, chorei, gemi, gritei.
Em mil pedaços desfiz o meu coração.
Pela manhã, o sol encontrou a concha destruída,
Em pedaços, pela areia da praia, dispersa.
Naquela manhã, o amor resgatou-me.
Minhas feridas cicatrizaram.
Devolveu-me o mar este infinito involuntário,
Que se debate contra o amor,
Que ao amor se entrega, que o amor recusa,
Que se dissimula e pacifica, que se faz calmaria
Quando a dor é mais dor.

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