Depressão...



Hoje sinto-me sem de ânimo. Nem sei se devo escrever, pensar ou pintar! Exorto o meu ego a prosseguir a caminhada e esbarro logo à primeira esquina. Não será mesmo um equívoco passar o tempo a acreditar que tudo o que se faz tem sentido? Maldita depressão, que chega, se instala sem dizer porquê. Acometido de neura estática, sem ênfase nas palavras e nos pensamentos, falo de nada e manifesto nada!

A abundância de metáforas que tantas vezes me ocorre esvaiu-se. Registo este estado de espírito para não haver dúvidas de que ele existe. Um frio que trespassa a alma e as flores que murcham com o calor de dias anteriores!

Como é difícil hoje descolar os pensamentos!

Como é inacreditável hoje tocar num livro, e não o sentir! Todavia, aqui estou a descrever-te o vazio de um dia e a não contar-te nada. As palavras não estão floreadas como sempre. Será que estou a ser inconsequente? Esta mordaça inquieta-me. Quem dera estar agora no meio do deserto para poder soltar-me, correr, gritar e ouvir o eco da minha voz desenfreada! Estar aqui, à procura da razão, é talvez alimentar algo e lesionar o espírito. Será que em cada um de nós há um pouco de masoquismo? Esta descida vertiginosa leva-me a dissecar os pensamentos, mas a apatia agarra-os e tolhe os membros. Para quê usar um disfarce quando o rosto se torce de dores na alma!

Estou sem sentido algum para continuar o cultivo do espírito... Dou-me o braço e vou ver o Mar!

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