Debruço-me sobre o teclado como se estivesse à janela. Conto as letras de cada palavra e são tantas as que já não têm sentido! Palavras exaustas de repetição. Dedos doridos de bater sempre nas mesmas teclas. Mente devorada pela ânsia de mudar coisas no dia que começa, se espreguiça encostado às horas e aguarda o pôr-do-sol para em breve repousar no leito da noite. Dia após dia, na esperança de ser melhor, deixo escapar os minutos do relógio da vida. Desfaço-me do tempo em pensamentos do Amor, da Natureza e da Paz. Procuro nos meus passos uma sombra florida e nas vozes da noite a tranquilidade da alma.
Os minutos escorregam por entre os dedos, somando etapas da vida.
Os espaços enchem-se de sol, aquecendo a solidão. E longe, virada ao céu, uma ave percorre a liberdade.
Neste percurso, tantas flores aguardam o nosso olhar e muitas murcham por falta de amor. E se o ser humano é tão precioso como uma flor, há olhos que não o vêem.
Os minutos não param; a vida, sim.
As lágrimas tornam-se companheiras das flores. E amanhã mais um espaço ficará vazio!

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