Vou contar-te a ânsia que as ondas têm.
Procuram-te aflitas, persistentes.
Desistem e esmorecem
Por não sentirem meigo o vento
Que trazes no rio da tua voz
Por não verem a foz dos teus olhos.
Não te faz pena?
E afinal o que queriam de ti
As ondas?
Tão só que as navegasses
Quando gentis
Salpicassem as tuas mãos…
Que num gesto lento e salgado
as levasses
à boca
e as beijasses rendida…
Queriam deitar-se na praia do teu
corpo de mulher.
(Quem me disse isto foi o marulho do meu coração).

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