O tempo está para o amor assim como o vento para os incêndios; apaga os mais fracos e ateia os mais fortes. O amor necessita de optimismo e de confiança, de dedicação e de generosidade, de alegria e de prazer, de riso e de entendimento, de cumplicidade e de adversidade, mas precisa sobretudo de tempo. Tempo suficiente para ser vivido na presença e tempo de ausência quanto baste para ser medido no silêncio de um espaço vazio á mesa e na cama, ao final do dia quando nos apetece um abraço, ou durante os fins-de-semana em que imaginamos tudo o que poderíamos fazer juntos e estamos separados.
Por isso é tão bom namorar. Namorar é tão sensato como assinar um contrato que contempla o período de experiência. Estamos entusiasmados e motivados, o novo é irresistível e queremos dar o nosso melhor. Mas tudo na vida que é consistente e vale a pena leva muito tempo e também dá muito trabalho, por isso o melhor é a calma, deixar correr até a poeira assentar.
O problema é que no calor do momento é fácil e tentador confundir tudo; entusiasmo com interesse profundo, tesão momentânea com desejo continuado, atracção física com entendimento, paixão com amor e amor outra fez com desejo. Não confundir amor com carência, distracção, fraqueza. Num amor pleno e puro, o tempo vence lado a lado connosco, é o nosso aliado, e por isso vale bem a pena dar-lhe tempo, todo o tempo do mundo.
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