Falem-me de amor...


O amor entre um homem e uma mulher é sempre um milagre. Não, não pensem que o que estou a dizer é uma frase feita, é uma verdade.

Nunca acreditei em amores de a uma só voz, suficientemente desinteressados para serem somente de um. Há sempre uma condição para um amor a reciprocidade, sem ela, temos que sonhar mais, sentimos mais, temos mais saudades. Nisto do amor não existe mais nem menos, há uma igualdade. Todos aspiramos a ter no outro o espelho daquilo que sentimos. Sonhamos os nossos amores-perfeitos, plantados no jardim dos nossos sonhos. Entretanto, esquecemo-nos que existem muitas maneiras de amar e que muitas vezes as ausências de flores nem sempre são ausência de afecto.

Como proceder quando queremos mais? A reciprocidade e a verdade são a base para todo o amor exemplar. Aquele amor com sonhamos desde que escutamos nas histórias infantis, as fadas, os príncipes e as princesas… Sempre pensei que tinha uma história destas em algum lugar e que um dia encontrava este meu livro e a minha página. E quando encontramos a nossa alma gémea, alguém que nos dá a felicidade somente por estarem ao nosso lado? Então deveremos dar o que de mais íntimo se pode dar, a partilha do nosso espaço. Mas porquê que por vezes as coisas não funcionam? Por falta de amor? Porque pensamos que o outro foi conquistado, sendo um dado adquirido e, portanto, os carinhos deixam de ser necessários? Porque passamos a ver falhas só porque apagaram os mistérios? Existe mistério mais maravilhoso do que saber o que o outro vai dizer ou fazer depois?

Claro que o amor pode acabar. Mentiremos quando dizemos que será para sempre e depois não o é? Não, não estamos. Porque é o que ambicionamos naquele momento, que seja para sempre. No entanto o afecto pode cessar quando ambos crescem em sentidos opostos. Não digam que não existe um amor eterno, aquele em que um se basta ao outro. Quem nega, apenas se resguarda, está no seu direito... embora eu não acredite. Porquê tantos encontros e desencontros, tantos choros e tanta privação? Suicídios, assassínios, barbaridade, retaliação. Seria mesmo amor? O amor acaba, e volta? Volta sempre, não é? Eu já li naquelas histórias que ainda guardo no coração. Vejo velhinhos de mãos dadas e com os olhos a brilhar. Quero uma dessas para mim!

Uma história escrita com a tinta das veias que derreterei com o meu amor. Um conto de entranhas partilhadas. Em que cada um de nós pode estar numa extremidade diferente da casa, do país ou do mundo... mas sabemo-nos lá. E se os amores forem acabando, vou sempre acreditar que o amor virá. Acreditarei até ao dia em que morrer, mesmo que não o tenha. Acreditarei que se vivesse um pouco mais...

Falem-me de amor...

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