Não tenho tempo para esperar pelo tempo que não tens, porque estou cansado de te dizer que a vida é feita do tempo que se gasta velozmente nos ponteiros do relógio. Quando me vês correndo atrás de ideais e de sonhos e perguntas para quê, fico perplexo, porque ainda não entendeste a minha razão de estar vivo!
Esse vazio que penetra em ti vai corroendo a alma, e deixa-te nua de vontade e coragem para plantares as árvores que amanhã dariam frutos. Mas quem sou eu, num planeta tão conturbado e a morrer lentamente, querendo semear sonhos em cada pedacinho de terra, onde o homem insiste em fazer nascer cimento, em vez de flores?
Quem sou eu que, desesperadamente, grita a força da natureza do ser, em palavras não faladas, que não tens tempo para ouvir?
Afinal, nesse pouco tempo de viagem, só te lembras de estar viva quando vês a morte ceifar troncos de corpos e, de repente, arranjas tempo para parar, pensar e chorar todas as lágrimas sobre as flores da vida, jazidas a teus pés! Nesse estar viva, mas morta por dentro, vagueias por aí como uma moribunda, sem alegria, sem auto-estima, sem esperança, ausente da tua existência.
Numa Vida feita de Nada, o que podes colher?

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